O governo de Israel aprovou, com unanimidade, a demissão de Ronen Bar chefe do Shin Bet, o serviço de segurança interna do país. A decisão foi divulgada na madrugada desta sexta-feira (21), pelo horário local - noite da quinta (20), no horário de Brasília. Ele deve deixar o cargo no dia 10 de abril.
No último domingo, primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia afirmado que afirmou iria apresentar o pedido de destituição de Bar ainda nesta semana.
"Devido à contínua falta de confiança, decidi apresentar uma proposta ao governo para encerrar o mandato do chefe do Shin Bet, Ronen Bar", anunciou Netanyahu.
Além de ter "há muito tempo" perdido a confiança em Bar, o primeiro-ministro declarou, em vídeo gravado em seu escritório, que confiar no chefe do serviço de segurança interna é algo "crucial em tempos de guerra".
A relação entre Netanyahu e Bar vinha sendo descrita pela mídia israelense como "tensa" em meio à guerra do país contra o grupo terrorista Hamas, em Gaza.
O serviço Shin Bet é responsável por monitorar grupos militantes palestinos e, recentemente, emitiu um relatório assumindo a responsabilidade por suas falhas em relação ao ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023 — data em que a guerra começou.
A ofensiva daquele dia, considerada o maior fracasso de segurança israelense, resultou em 1.200 pessoas mortas, além de outras 251 sequestradas para Gaza.
Em seu relatório, no entanto, o serviço de segurança interna também criticou Netanyahu, dizendo que políticas governamentais falhas ajudaram a criar o clima que levou ao ataque.
As tensões aumentaram no último fim de semana, quando o antecessor de Ronen Bar, Nadav Argaman, disse que divulgaria informações sensíveis sobre Netanyahu caso fosse comprovado que o primeiro-ministro tivesse quebrado a lei.
Netanyahu, então, acusou Argaman de chantagem e registrou uma queixa na polícia.
O premiê israelense tem resistido aos pedidos por uma comissão oficial de investigação estatal sobre o ataque de 7 de outubro e tem tentado culpar as falhas no exército e nas agências de segurança.
Nos últimos meses, importantes oficiais de segurança, incluindo um ministro da Defesa e o chefe do exército, foram demitidos ou forçados a renunciar.
Netanyahu disse que remover Bar de sua posição ajudaria Israel a "atingir seus objetivos de guerra e prevenir o próximo desastre." A expectativa é que o primeiro-ministro nomeie um aliado em seu lugar, o que desaceleraria qualquer avanço para a comissão de investigação.
O anúncio deste domingo também tem como pano de fundo a irritação de Netanyahu com o fato de o Shin Bet estar investigando membros de sua equipe por seus relacionamentos com o Catar. O serviço de segurança interna e Ronen Bar estiveram diretamente envolvidos nas negociações de reféns durante a guerra em Gaza.
Informações: G1